PAI
Agora que não estou mais no tempo de alimentar ilusões,aguça os meus sentimentos para que eu perceba a beleza das realidades
PAI,agora que as opções foram feitas e tantas portas se fecharam no definitivo,da-me a aceitação para que as renúncias não sejam um fardo pesado demais.
Pai,agora que a soma dos erros as jovens ilusões da onipotência,não me tires a pretensão de continuar tentando acertar.
Pai,agora que tantos desenganos e incompreensões repetirão liçoes de ceticismo,conserva-me a minha boa fé e minha disponibilidade perante as criaturas.
Pai,agora que as forças de meu corpo começam a falhar,alerta meu espirito,livra-me do comodismo e redobra a minha vontade.
Pai,agora que já aprendi a precariedade de todas as coisas,as limitações de todas as lutas e as proporções de nossa pequenez,afasta-me do desanimo.
Pai,agora que já alcancei o ponto de perspectiva que me da a exata visão do pouco que sei.Livra-me da defesa fácil de colocar viseiras e ajuda-me a envelhecer com a abertura dos corajosos,dos que suportam revisões até a hora da morte.
Pai,agora que aumentam os círculos das criaturas que me olham e esperam alguma coisa de mim da-me um pouco de sabedoria;ensina-me a palavra certa,inspira-me o gesto exato,norteia a minha atitude.
Pai,agora que perdi a abençoada cegueira da juventude e só posso amar de olhos abertosredobra a minha compreensão,ajuda-me a recuperar as mágoas e proteja-me da amargura.
DEUS, PAI,concede-me a Graça de não cair na desilusão,de não perder o ânimo,de envelhecer jovem,de
chegar a morte,com reserva de amor.
(Carmita Overbeck)
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
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