sábado, 9 de outubro de 2010

Os infortúnis ocultos

Quem é esta mulher de ar distinto,vestida de maneira simples mas cuidada,seguida de uma jovem vestida também modestamente?En
tra numa casa de sórdida aparência onde é conhecida,sem dúvida,porque á porta a saúdam com respeito.Onde vai ela?Sobe
até a mansarda:Lá mora uma mãe de familia cercada de filhos pequenos;á sua chegada,a alegria brilha nesses semblantes emagre
cidos;é que ela vem acalmar todas essas dores;traz o necessário tem
perado com doces e consoladoras palavras,que fazem aceitar o bene
ficio sem corar,porque esses infortunados não são mendingos profis
sionais;o pai está no hospital e,durante esse tempo,a mãee não pode abastar ás necessidades.Graças a ela,essas crianças não suportarão
nem o frio,nem a fome;irão á escola agasalhadas,e o seio da mãe não secará para as criancinhas.Se há um doente entre eles,nehum
cuidado material a repugnará.De lá,ela se dirige ao hospital,para le
var ao pai algum consolo,e o tranquilizar sobre a sorte da familia.
No canto da rua a espera uma viatura,verdadeira loja de tudo o que
leva aos seus protegidos,que visita assim sucessivamente;não lhes -
pergunta nem sua crença,nem sua opinião,porque,para ela,todos os
homens são irmãos e filhos de Deus.Terminada a excursão,ela se  -
diz:Começei bem o meu dia.Qual é o seu nome?Onde mora?Nin
guem o sabe;para os infelizes,é um nome que não revela nada;mas
é o anjo da consolação;e,á noite,uma sinfonia de bênçãos se eleva
para ela até o Criador:católicos,judeus,protestantes,todos a bem di
zem.Porque ela se veste de maneira tão simples?É que não quer in
sultar a miséria com o seu luxo.Por que se fáz acompanhar da filha
adolescente?É para lhe ensinar como se deve praticar a beneficên-
cia.Sua filha tambem quer fazer a caridade,mas sua mãe diz:"Que -
podes dar,minha criança,uma vêz que nada tens de ti?Se eu te ente
grar alguma coisa para passar aos outros,que méritos teras?Em rea-
lidade,eu é que farei a caridade,e tú que dela terás o mérito;isso não
é justo.Quando vamos visitar os enfermos,tu me ajudas a cuidar de -
les;ora,dar cuidados é dar álguma coisa.Isso não parece suficiente?
Nada é mais simples;aprende a fazer obras uteis,e tu confeccionarás
roupas para essas criancinhas;deste modo,daras alguma coisa vinda
de ti".É assim que essa mãe,verdadeiramente cristã,forma a sua fi -
lha na prática das virtudes ensinada pelo o cristo.É espirita?Que importa! No seu lar,é a mulher do mundo,porque a sua posição     o
exige;mas se ignora o que ela faz,porque não quer outra aprovação
senão a de Deus e da sua consciência.Um dia,porém,uma circunstan
cia imprevista conduziu até ela uma das suas protegidas,que lhe produzia obras;esta lhe reconheceu e quiz abençoar a sua benfeitora
"Silêncio!Disse-lhe:não o digas a ninguém"Assim falava Jesus.

                                                                     (irmã ROSÁLIA,paris, -
1860).

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